
A gente não nasce para o que é (ou algo assim)
Junho 18, 2008Andava querendo voltar a ter um blog há muito tempo, mas nunca encontrava um jeito de começar. Provavelmente, porque não sei exatamente o que estou começando.
Certas pessoas já nascem com todas as certezas do mundo: sabem que vão ser médicos, advogados, arqueólogos ou motociclistas do Globo da Morte…
Eu, por outro lado, não faço a menor idéia da minha função na Terra – ou se tenho alguma. Mas, nos últimos tempos, eu tive uma absoluta certeza: eu NÃO nasci para ser secretária.
Explico: no início desse ano, comecei um estágio como Assessora de Comunicação em uma fundação cultural. O lugar é uma sala (não muito grande) com dois computadores. Ponto. Durante o tempo que estive lá, a empresa passou por algumas crises e as atividades culturais deram uma amornada. Conclusão? Passei de Assessora para Secretária/Office Girl.
Grande desastre.
E não é porque eu não sei lidar com pessoas, ou porque sou extremamente desorganizada, ou porque… Que outras qualificações uma secretária precisa ter, afinal? Enfim. Não é nada disso. Eu desenvolveria com facilidade qualquer uma dessas qualificações. Todas, com exceção de uma:
Atender telefone.
Talvez seja alguma disfunção minha, ou trauma, ou leseira mesmo, sei lá! Fato é que não dá certo. Vou contar dois casos pra exemplificar.
O gerente administrativo tinha ido ao toilet. O telefone toca.
“Fundação, boa tarde.”
“Boa tarde. O fulano está?”
“Tá sim.”
“(…)”
“Ah! Só que ele tá no banheiro!”
“Quer dizer… ele saiu. Volta daqui a pouco.”
“Aliás… ele não pode atender. Errr… Quem tá falando? Quer deixar recado?”
Por sorte, era o irmão dele. Não tinha problema ele saber que o fulano tinha ido dar um cagão. Da outra vez foi pior. Estávamos fechando detalhes com patrocinadores e eu precisava de algumas informações para fechar a arte de divulgação na gráfica.
“Então, Senhor Xis, se você puder me passar essas informações por e-mail a gente já resolve a situação.”
“Pois bem. Qual é o seu e-mail?”
“Elisa ponto franca ponto vê arroba…”
“Ponto bê?”
“Não. Ponto vê.”
“Pon-to-fran-ca-pon-to-gê…”
“Não! Ponto vê!!!”
“Pê de pato?”
“NÃO! VÊ DE VACA!”
“(…)”
Mas eu juro que foi sem querer. Naquele momento, o meu vocabulário não continha mais nenhuma palavra com V para ilustrar.
Enfim.
Não me despediram. Continuo lá. Mas agora é sempre a outra estagiária que atende o telefone.
Ela cursa Secretariado Executivo.





Bem…Eu sou gago e atendente de telemarketing. É como um jóquei gordo. Uma paraquedista com medo de altura. Um cirurgião com Parkinson. Um palhaço deprimido. Um ascensorista claustrofóbico. E eu posso continuar com isso por horas.
E finalizando: “v de vaca”! Bwahahahahahahah!
Acho que já estive num outro blog seu. Tenho quase certeza. E acho que tinha esse nome mesmo.
Acho que já estive num outro blog seu. Tenho quase certeza. E acho que tinha esse nome mesmo. [2]
Quanto ao telefone, minha filha… Nem te conto a série de tragicomédias que rondam a minha vida desde que assumi a produção do jornal aqui da TV. São tantas, tantas, tantas que eu já prometi pra mim mesma catalogá-las e postar no blog há uns 4 meses mas até agora nada!
nossa, elisa, sinto que sei exatamente pelo que você está passando… huauhahahuahu
mas tudo dá certo no final. e você é esperta, você nao atende mais telefones. eu atendi até o fim! e eu falava muito mais bobeiras. eu já dei bom dia para mim mesma uma vez, ao telefone. fora quando a pessoa fala tudo bem? e eu tudo bem! tudo bem? e a pesoa tudo bem! e eu, de novo, tudo bem?
aaahh!
Ai Elisa.. ri demais com isso. O pior não é fazer o serviço da secretária sendo Assessora de Imprensa/Comunicação. Isso é balela… o pior é quando seu chefe, antes de te passar a ligação, diz pra pessoa: “eu vou te passar pra SECRETÁRIA”…
hauhauhauha