Casou-se. Estava casada e pronto. Não havia solução. Em um barracão é que a sua princesinha não ia morar – bradava o pai – e tratou de arrumar um emprego para o Roberto na firma.
Que é que um pedreiro poderia fazer em uma empresa de eletrodomésticos sofisticados para mulheres-do-lar-com-dinheiro-de-sobra? A mãe sugeriu garoto propaganda. “Ele é até bem apessoado”. Mas o pai – esquecido de que, na verdade, Roberto era pedreiro – gritava que filha dele não casava com um modelinho qualquer.
Vestiu terno no genro, deu sapatos, meias, gravatas, cintos e mala de executivo. Seria Diretor de Estoque. Antes, o cargo era do Afonso mas ele foi rebaixado para assistente do diretor. Continuaria trabalhando como antes, só que com um salário menor e quem assinaria a papelada seria o Roberto.
- Sabe assinar o nome, Beto?
- Sei ler e escrever, doutor.
- Ler não precisa. Só assinar o nome.











